A ciência pode nos fazer viver mais? Entenda os limites da busca pela longevidade

  • 16/10/2026
(Foto: Reprodução)
Código da Vida: a busca pela imortalidade Viver mais e com mais saúde é um dos maiores objetivos da medicina moderna. Em laboratórios espalhados pelo mundo, cientistas investigam desde terapias genéticas capazes de corrigir falhas no DNA até tratamentos voltados para eliminar células associadas ao envelhecimento. Mas, apesar dos avanços, especialistas alertam que existe uma diferença importante entre aumentar a qualidade de vida e prometer uma espécie de juventude eterna. O debate ganhou força nos últimos anos com o surgimento de empresários e investidores dispostos a gastar milhões de dólares em pesquisas sobre longevidade. Um dos casos mais conhecidos é o do empresário americano Brian Johnson, que mantém uma rotina intensa de dietas, suplementos e exames com o objetivo de reduzir sua idade biológica e retardar os efeitos do envelhecimento. Para muitos cientistas, porém, a ideia de interromper completamente o envelhecimento ainda está longe da realidade. Segundo especialistas ouvidos pela série Código da Vida, há um limite biológico para a vida humana, e promessas de fazer pessoas viverem até 140 anos ou mais encontram pouco respaldo nas evidências científicas atuais. O que a ciência está tentando fazer As principais pesquisas sobre longevidade hoje se concentram em entender os mecanismos que levam ao envelhecimento das células. Uma das linhas de investigação busca corrigir problemas nas mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia celular. Outra estuda maneiras de identificar e eliminar as chamadas células senescentes, que deixam de funcionar corretamente e se acumulam no organismo com o passar do tempo. Essas células são frequentemente descritas como "células zumbis" porque permanecem no corpo mesmo após perderem sua função original. Há também uma forte aposta nas terapias genéticas. Pesquisadores trabalham em técnicas de edição do DNA capazes de corrigir mutações responsáveis por doenças hereditárias. Em alguns casos, o objetivo é alterar apenas uma única "letra" do código genético para restaurar a função normal das células. Os avanços mais promissores Pesquisadores afirmam que a correção de erros genéticos já vem produzindo resultados animadores em doenças raras. Nos Estados Unidos, equipes trabalham em tratamentos para doenças hereditárias da visão utilizando técnicas de edição genética aplicadas diretamente nos olhos. Outra área de destaque é a biologia sintética. Cientistas desenvolvem moléculas chamadas XNAs, capazes de desempenhar funções semelhantes às do DNA, mas com estrutura química diferente. A expectativa é que elas possam ser utilizadas no desenvolvimento de novos medicamentos e terapias avançadas. Pesquisas em xenobiologia também tentam criar proteínas artificiais produzidas com aminoácidos de laboratório. Segundo os pesquisadores, essas moléculas poderão futuramente ser utilizadas no tratamento de doenças degenerativas, na produção de novos antibióticos e até em aplicações relacionadas ao envelhecimento celular. Por que a imortalidade ainda está distante Apesar do entusiasmo, especialistas lembram que a maioria dessas tecnologias ainda está em fase experimental. Um dos maiores desafios é garantir que os tratamentos sejam eficazes e seguros. Casos recentes envolvendo terapias genéticas experimentais na China mostraram os riscos dessa corrida. Em dois estudos que utilizavam variantes da técnica de edição genética CRISPR, pacientes morreram poucos dias após o tratamento. Segundo pesquisadores, o problema esteve relacionado ao uso de vírus modificados para transportar as moléculas terapêuticas até as células do organismo. Os episódios reforçaram a avaliação de que, embora os avanços sejam promissores, ainda será necessário superar importantes obstáculos científicos antes que essas tecnologias possam ser oferecidas em larga escala. O futuro da longevidade Para os pesquisadores, o objetivo mais realista não é tornar os seres humanos imortais, mas prolongar o período de vida com saúde. A expectativa é que, nas próximas décadas, tratamentos genéticos ajudem a prevenir doenças, corrigir mutações e substituir medicamentos de uso contínuo por intervenções mais precisas e duradouras. A busca pela longevidade continua avançando, mas o consenso entre os cientistas é que viver mais dependerá menos de soluções milagrosas e mais da combinação entre pesquisa de longo prazo, avanços médicos e um entendimento cada vez maior sobre o funcionamento do próprio corpo humano. O futuro do rejuvenescimento Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/10/16/a-ciencia-pode-nos-fazer-viver-mais-entenda-os-limites-da-busca-pela-longevidade.ghtml


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